Quem sabe você pudesse fluir os olhos nos versos de um poema ao ritmo cadenciado por uma trilha especialmente composta para ele? Ou ler um livro acadêmico ao som do blues ou do bom e velho rock clássico? A opção dos sonhos seria ouvir música instrumental especialmente composta para o enredo daquele romance tão imersivo que você tanto gosta de ler e reler.
Tudo isso já está ao alcance do toque no iPad, iPhone e iPod touch. Eis a proposta do aplicativo Booktrack. Não se sintonizou? Leia e escute mais neste vídeo.
São livros com trilha sonora. E não se trata apenas do mesmo efeito que você obteria se estivessse lendo com fones de ouvido, se preocupando em escolher a música certa para cada trecho — o que por si só já daria um bom trabalho — todo esse áudio é especialmente composto para cada texto e cuidadosamente sincronizado. São músicas, efeitos e até som ambiente. Eles são automaticamente arranjados de forma a acompanhar o ritmo de leitura do usuário e, para quem gosta de ler na rua, é muito fácil retomar a cadência por conta de interrupções.
O leitor também pode controlar o volume, equalizar canais, selecionar sua trilha favorita, entre muitas outras ações, criando seu ambiente sonoro preferido. Parece um efeito simples de conseguir, mas a logística de usabilidade desse tipo de solução é muito complexa. Horas e horas de ergonomia cognitiva até certar o passo certo. Madrugadas de composição sonora para criar uma obra que não só converse, mas que complemente o texto do autor. Quem já se atreveu a escolher até as trilhas sonoras mais simples, para apresentações no trabalho ou jantares românticos a dois, sabe o trabalho que isso dá.
Mas para variar um pouco vamos além. Que tal combinar esse conceito, de leitura acompanhada, com outras soluções. E se pudéssemos acompanhar — e até escolher, quem sabe — as vozes dos personagens durante os diálogos. E se ao alcançar determinado trecho, uma animação ou vídeo complementasse e ampliasse a experiência de leitura imersiva. E não estou levando o papo para um possível livro-jogo —alguém lembra? — onde seriam possíveis interferências do leitor na narrativa, mas de um discurso linear mesmo, mas amplo de sentido cognitivo e sensorial.
Podemos ainda não estar lá, mas estamos chegando.











































