Starship Troopers (Tropas Estelares) é mais conhecido do grande público como um filme mediano (alguns vão achar que é um bom filme, outros que é horrível, então deixo no meio termo) de ação e ficção científica onde alienígenas (malvados) estão em guerra com os humanos (bonzinhos).
Essa seria uma sinopse básica do filme, que tem origem num livro bastante complexo e controverso da literatura norte-americana.
Robert A. Heinlein, autor de Starship Troopers, serviu a marinha Americana entre 1929 e 1934 (dispensado por motivos médicos). Sua vida na literatura começou em 1939 e não parou mesmo após seu falecimento em 1988 (algumas de suas obras são póstumas). Suas principais obras são o livro Starship Troopers de 1959 (publicado no Brasil como Tropas Estelares) e Stranger in a Strange Land de 1961 (publicado no Brasil como Um Estranho numa Terra Estranha).
Quem assistiu ao filme (Starship Troopers, 1997) foi telespectador de um fracasso de bilheteria (o caro filme mal se pagou na bilheteria mundial) que aproveitou apenas superficialmente o livro para a criação de um filme de guerra espacial. Levou um Oscar de efeitos visuais em 1998 (seus efeitos especiais são muito bons, mesmo analisando na visão de hoje).
O livro (e o filme) trata de uma guerra interestelar entre humanos e uma raça alienígena de insetos (os Bugs). O livro é formado de vários flashbacks de seu personagem principal Juan Rico, que passam desde sua época no colégio e decisão de entrar para as forças armadas, passando pelo seu treinamento e experiência militar na guerra, até sua formação de oficial. Pouco combate real é descrito no livro, diferente do que existe no filme. Uma diferença brutal é que os romances presentes no filme (o que seriam dos filmes de ação sem alguns romances do herói principal?) são inexistentes no livro. O filme é narrado sob a ótica do soldado Rico (infantaria móvel) e de sua namorada Carmen (piloto espacial), já o livro é apenas narrado por Rico, Carmen é apenas citada e não tem envolvimento amoroso com Rico.
Outra grande diferença é que no livro os soldados utilizam trajes/armaduras robotizados (em inglês é “powered armor exoskeletons”, não lembro como ficou a tradução em português) em combates, fator que tornaria o filme ainda mais caro e difícil de ser produzido, e no filme esses trajes não existem. O traje transforma o soldado num verdadeiro tanque.
Mas o que torna o livro tão controverso e polêmico?
- Política – Parte do livro é formada de debates políticos. A história se passa numa democracia limitada, onde apenas as pessoas que prestarem serviço militar não obrigatório podem participar da política (votar ou ser votado em cargo público).
- Militarista – Ataques cirúrgicos, táticas militares, treinamento, equipamentos diversos, entre outras informações militares sobre um exército futurista são cuidadosamente detalhadas no livro. O livro foi acusado de servir apenas como porta voz das idéias militaristas de seu autor, de glorificar a guerra e de ser escrito como propaganda para recrutamento militar.
- Popularidade entre os militares americanos – Ainda hoje é um livro bastante lido e comentado por militares nos EUA (é um livro lançado em 1959, há mais de 50 anos atrás).
- Fascista – Alguns afirmam que a sociedade descrita no livro é fascista (devido a suas restrições de voto por apenas pessoas que serviram o serviço militar). Outro impulsionador é que no filme, os uniformes utilizados lembram muito aqueles usados pelo Terceiro Reich antes e durante a segunda guerra mundial (no livro não existe descrição de uniformes utilizados, apenas os trajes robôs).
- Racismo – Os inimigos são retratados como coisas sem alma, então não existe problema em matá-los. Alguns alegam que a expansão da humanidade pelo universo e o genocídio dos Bugs é comparável ao holocausto e a busca da pureza racial.
O livro influenciou na literatura, iniciando a modalidade ficção científica militar, seguida posteriormente por muitos autores (alguns publicamente citam a inspiração na obra de Robert).
No cinema e na televisão também existem inspirações na obra. O filme Aliens (1986) de James Cameron usou os termos “the drop” e “bug hunt” presentes no livro e o traje robô usado pela personagem de Sigourney Weaver para levantamento de carga e para a luta são similares aos descritos no livro. Os atores que interpretam os Colonial Marines também foram obrigados a ler Starship Troopers, como parte de sua preparação antes das filmagens.
Yoshiyuki Tomino, o criador da mecha anime de TV Mobile Suit Gundam (1979) citou Starship Troopers como inspiração.
Além do filme de 1997 foi produzida uma série em computação gráfica (Roughnecks: Troopers Chronicles Starship) pela Columbia Tristar e Sony Pictures para a televisão com elementos do livro e do filme. Foram produzidos 36 episódios de aproximadamente 22 minutos e 4 capítulos foram criados de material reutilizado dos episódios. Passou pela primeira vez (EUA) de Agosto/1999 a Abril/2000. Ela foi cancelada após uma temporada e não existiu um final produzido.
Existe uma lenda que foram produzidas 2 fracas continuações do filme (Starship Troopers 2: Hero of the Federation, 2004 e Starship Troopers 3: Marauder, 2008), mas não acredite que isso é apenas lenda.
Para o futuro: A Sony Pictures já anunciou um novo filme de Tropas Estelares a ser lançado no cinema em 2012. Starship Troopers: Invasion será uma animação produzida em computação gráfica. A história é sobre um distante posto da Federação atacado por insetos e uma equipe é enviada para auxiliar na remoção dos sobreviventes e ajudar a levar importantes dados militares de volta a Terra.
Para quem gosta de literatura com temas militares, Starship Troopers é uma leitura interessante, embora de passagens monótonas em diversos pontos.
Fica a dica!















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