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[REVIEW] “A Batalha do Apocalipse” é chato mas termina bem


Eu provavelmente serei escurraçado por essas palavras que estão no título, mas para mim é a mais pura realidade. Eu sempre fui um fã de literatura fantástica, devorava qualquer tipo de livro relacionado a isso, me lembro quando peguei Senhor dos Anéis para ler e li os três livros em inglês em apenas 4 dias, mas “A Batalha do Apocalipse” do carioca Eduardo Spohr foi o livro mais longo que eu já li na minha vida, demorei exatos 5 meses para terminá-lo e posso resumí-lo em uma sentença: “é chato, muito chato, mas termina muito bem”.

imagens a batalha do apocalipse [REVIEW] A Batalha do Apocalipse é chato mas termina bem

Vamos um pouco a como tudo começou

A Batalha do Apocalipse apareceu em minha vida, quando estava lendo algumas matérias no Jovem Nerd e vi o livro sendo vendido na Nerd Store. Então descobri que o livro foi lançado de forma independente pela NerdBooks e vendido 4.000 exemplares. Obviamente este sucesso se deve, na minha opinião, a força que o Jovem Nerd tem de convencer os seus leitores de que algo é realmente legal e transformar algo em CULT.

O livro foi reeditado no ano passado pela Verus, selo do Grupo Editorial Record, e foi o livro mais vendido na Bienal Internacional de São Paulo deste ano e esteve entre os 10 mais vendidos por sete semanas seguidas.

É óbvio, que eu como fã de literatura, após ver esses números, não poderia deixar de ler, então pedi de Natal e ganhei.

A História

Basicamente a história é sobre a bíblia, desde o início dos tempos até o seu fim. Mas ela é contada de uma forma diferente, sobre a ótica de um Anjo Renegado, não um anjo caído como Lúcifer e aqueles que o seguiram, um anjo renegado que se rebelou contra a tirania do arcanjo Miguel, este anjo… o Primeiro General, Ablon, o Renegado.

Ablon, um protetor dos humanos, se rebelou contra Miguel, que achava que os anjos deveriam dominar os homens, inclusive, aprendemos no livro de Spohr, que, quando Deus, após criar Adão e Eva, foi descansar no 7o Dia (que está durando até os dias de hoje), deixou a Terra sobre o cuidado de Miguel e dos outros 3 arcanjos, e Miguel, o Princípe dos Anjos, é o grande responsável pelas maiores desgraças que ocorrem na história da humanidade, o dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, entre outras.

Por causa disso, Ablon se rebela, junto com outros renegados e eles são expulsos do céu, obrigados a vagar na Terra até o Dia do Juízo Final.

A Narrativa

A história não desenrola bem, começa de um jeito e termina de outro, não existe linearidade entre os capítulos, para que o leitor identifique qual será o próximo passo do autor, o que será que ele vai ler agora? Dessa forma, a narrativa, acaba se tornando chata, além disso, ele alterna entre a narrativa em terceira pessoa que se passa no presente, mostrando Ablon e seus conflitos para se levantar contra Miguel no Dia do Juízo Final e a primeira pessoa, nos flashbacks de Ablon, que contam a história da humanidade, estas são as partes mais interessantes do livro, porém Spohr se perde, quando começa a inserir histórias paralelas que não tem a ver com a linearidade da Bíblia ou da história da humanidade, mas sim da história do próprio Ablon, como uma parte em que ele está na China antiga ou em Roma.

Os Personagens

Os personagens são mal construídos, não possuem personalidade. O engraçado é que eu li por aí, que os personagens são a coisa mais marcante do livro e em uma entrevista do próprio Eduardo Spohr à Veja, ele diz que não fez tantas pesquisas (o que eu já acho exatamente o contrário) e se focou na construção dos personagens. Sinceramente, Shamira e Ablon, são o casal mais apático que eu já vi em algum livro. Shamira é uma feiticeira da antiga Babilônia, a maior feiticeira do mundo (quando chega aos dias de hoje) e o romance que se desenrola entre Ablon e ela, ocorre da forma mais besta possível, Ablon a salva, eles ficam em uma caverna conversam um pouco e aí se apaixonam……. BORING!

Os personagens mais bem trabalhados são, digamos assim, do lado do mal, do lado do inferno. Cada Anjo Caído possui características diferentes e na minha opinião, a personagem mais marcante, porém esquecida pelos reviews que eu vi por aí, é Lilith, que se transforma ao conhecer Ablon.

Lúcifer também é bem trabalhado, muito focado em “o rei das mentiras” e ele consegue enganar a todos muito bem. Outro personagem que é legal de conhecer é Orion, porém é um dos mais mal trabalhados no final, você espera que muitas coisas sejam contadas sobre ele, mas se decepciona.

Apollyon, o maior rival de Ablon é o personagem mais enfadonho (depois de Ablon e Shamira), ele é simplesmente uma besta assassina e raivosa que quer destruir a tudo e a todos. Não existe motivação nesse personagem, nada, simplesmente nada.

E o Anjo Negro? Bom, esse vocês que leram o livro até o final, vão concordar comigo, que simplesmente não precisava nem existir tal figura.

Quando começa a melhorar?

Do meio para o fim, o livro tem aproximadamente 570 páginas (não me lembro quantas exatamente), mas ele só começa a ficar realmente interessante, lá pela página 250, então se você foi um herói e conseguiu ler até essa página, vá em frente, pois aí a coisa começa realmente a esquentar, vemos a trama se desenrolando e começando a chegar ao fim.

Spohr cria uma expectativa muito boa do que acontecerá no Dia do Juízo Final. Como Ablon derrotará o Arcanjo Miguel, se ele está numa hierarquia de poder muito abaixo dos Arcanjos? Essa expectativa é mantida desde o meio até o fim, aí que eu acho que Spohr ganha muitos pontos, pois ele consegue manter o clímax por muito tempo e são poucos os autores que conseguem fazer isso.

O Fim! (fique tranquilo, não há spoilers)

Spohr termina de uma forma interessante o livro, duas coisas acontecem que você fala “Cacete, havia me esquecido disso!”, dessa forma surpreende a todos. Ablon conquista uma certa personalidade, a personalidade de um estrategista e de um líder, já Shamira continua lá, meio fraquinha, meio sem sal. Mas todos os outros vão conquistando um certo brilho em suas personalidades.

As batalhas são muito bem narradas, algumas rápidas demais, mas as que realmente importam são emocionantes, só acho que Spohr precisava aprender a narrar batalhas em massa, como as que Bernard Cornwell narra com maestria.

No final, você fica com gostinho de quero mais, mas Spohr não deixa amarras soltas e nem ganchos para nenhuma continuação.

Nota Final

De 0 a 10 Spohr leva um 7, o começo é realmente chato não é brincadeira mesmo e eu só aguentei ler até a página 250, porque vi o rebuliço que foi feito quanto a este livro em blogs e comunidades geeks e nerds, mas o final é realmente bom.


  • Matts

    Olha, só posso falar que eu concordo com isso.
    E não acho que ele ganha personalidade o autor começa a escrever um pouco melhor no final. A grande sacada do livro também foi previsível,acho que a unica coisa que surpreendeu foi aquele anjo de asas negras… Só.
    O que eu percebi é que ele aprendeu a escrever no decorrer do livro e falaram que talvez saia outro livro é capaz que eu compre pra ver se o ritmo continuou.

  • Fabio Oliveira

    Concordo contigo Gui, eu parei de ler pq tava muito chato, mas agora vou fazer um esforço e terminar ele.

  • Anderson Espanha

    Olha… o final é interessante sim, principalmente porque ele amarra com um fato que acontecem praticamente no começo do livro, mas ah…eu já estava na página 450 e nada da treta revolucionária começar!!! Matei muito cedo quem era o tal anjo de asas negras, achei na cara o que aquele Amael faria e achei as motivações dos personagens muito “novela das sete”.
    Tem sacadas ótimas na história é verdade, mas senti um tédio tão profundo em algumas partes que achei que o tecido da realidade tinha caído mesmo… Nota 5,vai.

  • Jotade

    Tbm achei muito chato…. Comprei por causa do JN mas me arrependi muito. Nem cheguei a tal página 250 e nem quero tentar chegar nela.

  • Guinicius

    Só achei estranho você dizer que “…inclusive, aprendemos no livro de Spohr, que, quando Deus, após criar Adão e Eva, foi descansar no 7o Dia (que está durando até os dias de hoje), deixou a Terra sobre o cuidado de Miguel…”

    “Aprendemos” está querendo dizer que o livro narra fatos?

    No mais, concordo com quase tudo.

    • http://nosgeeks.com.br/membros/gui-loureiro/ Gui Loureiro

      hhahaha! Não não, é aprendemos durante o livro mesmo.

  • aureliox

    Só pelo fato desse livro sair assim do nada e ter tantos leitores, mesmo que seja pelo efeito “quero ver pra crer”, é um marco na literatura best-sellista do Brasil! Vindo do meio nerd então, é motivo de orgulho.
    Eu vou ler, nem que seja para queimar depois. huahua

    • http://nosgeeks.com.br/membros/gui-loureiro/ Gui Loureiro

      HAUHAUAUA!!! Eu não queimei não, por sinal está na prateleira, mas não sei se guento ler de novo.

  • http://www.willsasuke.deviantart.com Will_WM

    Nao posso dizer se o livro é bom ou não, pois nao tive interesse de ler. Porém, concordo em 100% com o que foi dito no inicio, sobre o JN. Sou fan do JN a um bom tempo, mas a fama que ABDA alcançou, foi devido ao apoio dado pelo site, e nao totalmente ao “merito” do escritor ( nao querendo dizer que o Spohr nao teve participação, mas o empurrão inicial do JN que fez ABDA chegar aonde chegou ). Sobre ser escurraçado sobre isso; é coisa de fanboy! Pega nada o ! ps: muito bom o site do NosGeeks, nao conhecia (;

    • http://nosgeeks.com.br/membros/gui-loureiro/ Gui Loureiro

      Valeu pelos comentários Will e pelo elogio! Esperamos ver você aqui novamente. Quanto a JN, eu curto pra caramba, mas eles tem a arte de criar fanboys, não sei se isso é muito saudável.

  • julia

    Verdade tudo o que você disse!! Na parte da China, que ele começa a falar de Roma sem uma “conexão”, eu pensei: “ué, ele tá na China ou em Roma?” .. Também na parte que ele está na China, mata os 3 demonios e larga a “missão mais importante pra humanidade” e volta pra tentar salvar a Shamira, não faz muito sentido. Porque até ali, não se sente emoção nenhuma nesse casal, então parece meio besta. Então seu título está totalmente correto! Chato.. mas termina bem!

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      Oi Julia!! Que bom que concorda. Eu estava com medo de ser rechaçado pelos fanboys do JN, site que eu curto demais hehehe! Em relação ao SPOHR, eu vou dar mais uma chance a ele, com o novo livro, o Filhos do Éden. Você já leu?

  • Anônimo

    Ahhh discordo de você. O problema é o didatismo em excesso. Por vezes ele dizia: Ocorreu assim e assado e vai e volta, só para ambientar o personagem ou justificar um ato. Sim, nas primeiras páginas, é difícil de se tragar, assim como dizem que é o Sociedade do Anel (ainda não me dei a graça, mas escutando o mesmo podcast eles dizem que a coisa só esquenta do meio pro final).

    Gostei do livro, achei bem bacaninha o final (pra mim compensou o início) mas os flashbacks, nossa, haja paciência para isso! Anyway, gostei da crítica e do site!:D

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      Valeu Wanderson!!! Concordo com você, acho que a parte que era no presente era muito mais rica, fácild e entender, e nada desconexa, como os flashbacks desnecessários e extremamente longos, caramba, o cara tem que parar uma hora inteira na frente do inimigo, para relembrar um flashback daquele tamanho na mente.

      • Anônimo

        Pois é, ele diz que reduziu os flashbacks em “Filhos do Eden”. Por falar nisso, você já leu? estou pretendendo ler….

        • Matts Neves

          Eu estou com medo de comprar esse livro e começar a ler. ;x
          mas uma hora eu leio se o gui não ler antes.

        • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

          Eu estou querendo ler para dar uma chance a ele hehehe! Vou comprar no Natal provavelmente.

  • Eduardo Spohr

    Oi, Gui. Valeu pela sua crítica.

    Com certeza eu ainda tenho muito a aprender.

    Quanto aos fãs do Jovem Nerd, acho importante, acima de tudo, respeitar a visão e a opinião de cada um. Tem muita gente que gostou, muita gente que detestou… é normal. Impossível agradar a todos. Foi muito bom escutar os seus comentários e os da galera aqui no blog. Tento observar as críticas e tentar evoluir.

    Em “Filhos do Éden”, justamente por isso, fiz diferente. Se consegui melhorar ou não, aí só os leitores podem dizer.

    Qualquer coisa, sinta-se (sempre) à vontade para me escrever.

    Um grande abraço,
    Eduardo

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      Fala Spohr, fiquei muito feliz com o seu comentário por aqui! De verdade mesmo. Depois que eu li o Batalha do Apocalipse, comecei a acompanhar você pelo Nerdcast, que antes não acompanhava e as suas participações são sempre muito importantes. Ouvi recentemente o do Filhos do Éden, que vai narrando como foi lançado A Batalha do Apocalipse e é realmente incrível e emocionante o que vocês fizeram. Apesar de ter gostado pouco do livro, me emocionei, ao ouvir a sua voz embargada em algumas partes, pois também sou escritor e imagino como será difícil eu lançar o meu livro, assim que estiver pronto. Parabéns pelo trabalho.

      Ah! E o Spohrverso é algo incrível, foi o que eu falei, o cuidado com os detalhes que você tem, de explicar cidades, o surgimento das coisas, como funcionam as coisas, é muito bom. Adorei a mitologia por detrás. Já pedi Filhos do Éden (de Natal de novo) e vou ler e escrever por aqui! Pelo que eu ouvi da narração do Guilherme Briggs, parece estar diferente, bem diferente, menos epopéico e mais pé no chão. Espero gostar.

      Um grande abraço
      Gui Loureiro

  • Sara Rebeca1

    eu ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei o livro e achei a historia muito interessante

  • ABLON

    Chato é na “”"”"”"”cadeia”"”"”"”"”"”"”,é muito loko mano………………….

  • alessandra

    5 meses para ler o livro,eu o li em 2 semanas..

    • Sérgio

      Parabéns. Eu venho tentando terminar há TRÊS ANOS e ainda faltam umas 50 páginas. De vez em quando o pego, leio umas 10 págnas e paro por mais uns dois meses. Não dá! É moroso demais, masturbatório, cheio de clichés, tem personagens fraquíssimas, descrições longas e desnecessárias, cafonisse sentimental, maniqueísmo barato, flashbacks inúteis e uma estória que poderia ter sido concluída em meras 200 páginas em vez das suas 500 e tantas. E, para quem já trabalha lendo o dia inteiro como é o meu caso (tradutor), esse livro é pura tortura. Antes de 2013 pretendo terminá-lo, mas sinceramente não sei se consigo.

      • http://www.facebook.com/andnix Anderson Avlis

        Leia a bíblia, é mais empolgante