Há menos de uma semana, vimos a mídia exaltar aqueles que se denominam nerds. No Dia do Orgulho Nerd, comemorado no dia 25 de maio, sites, noticiários e programas de TV diversos exaltaram uma classe que durante anos sofreu preconceito. Esse preconceito se formou por seu estilo de vida mais reservado ou seus gostos excêntricos. Taxados da pior forma possível pela grande maioria que tenta soterrar qualquer meio de diversão alternativo que é oposto às alienações coletivas da TV brasileira que domina a população como um todo.
Após refletir sobre esse BOOM de exaltação aos nerds, uma camada sempre à parte da sociedade por não seguir seu estilo de vida e preferências, só pude constatar que tudo não passava de uma estratégia de marketing desses canais para gerar promoções, etc. E assim continuamos sendo taxados da pior maneira possível. Após o dia de ontem eu tive certeza disso.
A prova real de como as minorias, sejam elas nerds, geeks, otakus, gamers continuam sofrendo preconceito e ofensas nos surge no programa Casos de Família, do canal SBT, exibido ontem, dia 31 de maio. Para quem não conhece, o programa Casos de Família possui todo dia um tema diferente abordando uma situação ‘típica’ (aos moldes deles) da família brasileira para ser debatida.
O tema do programa de ontem que trouxe ao palco cosplayers e expôs seu relacionamento, retratado como insuportável, com seus familiares que não aceitavam seus “costumes estranhos” foi simplesmente: “EU SOU O RIDÍCULO DA FAMÍLIA.”
Confesso que apesar de não ser uma ativista da causa otaku e cosplayer, mesmo sendo ambos, nem lutar pelo meio, me senti extremamente ofendida ao ver que o SBT, canal tão tradicional e que preza levar às familias conteúdo saudável e informativo, ME ACHA RIDÍCULA.
Pois é, pessoal. Eu não sei qual a intenção de uma emissora, que particularmente respeito, tem ao apontar o dedo na cara de você que faz cosplay e chamá-lo de RIDÍCULO. E não era apenas um cosplay de Naruto que estava no palco, mas também um caracterizado como integrante da banda Slipknot.
Com muito pesar lhes deixo esse trecho triste do programa que já está rendendo muitos protestos internet afora.
Ridículo é vermos uma emissora que é uma formadora de opinião em uma sociedade tão pobre culturalmente taxar uma minoria como tal. Num mundo que vivemos onde a televisão é a principal fonte de alienação das classes mais baixas, não me espanta futuramente sofrermos bullying de diversos tipos, mais do que já estamos acostumados.
Vamos então, cosplayer, continuar na nossa sobrevivência diária aos risos e piadinhas alheias por sermos OS RIDÍCULOS, sempre à margem da sociedade taxativa e absoluta guiada pela mídia formadora de opinião.
É por isso que a única coisa que dá audiência nesse canal é o Chaves.









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