Otaku x Alienação – Quando o hobby ultrapassa limites e se torna algo nocivo

otaku1 Otaku x Alienação   Quando o hobby ultrapassa limites e se torna algo nocivo

No Japão o termo otaku é referência a pessoas que evitam sair de casa e VIVEM para seu hobby de cultuar animes e mangas.

Deve ser difícil para as pessoas que nasceram na década de 90 compreenderem que um dia, até pouco antes de 2005, existiu uma época em que pronunciar o termo “anime” imediatamente lhe classificava com um alienígena. E caso você explicasse que o termo era uma alusão aos desenhos animados japoneses, isso lhe classificava como imaturo ou infantil.

Hoje é normal você encontrar uma tribo chamada OTAKU. Esses autodenominados fãs de animes, que fora do território oriental onde o termo é extremamente ofensivo, usam suas roupas pretas com animes ou bandas estampadas, touquinhas com os mascotes de suas séries favoritas e zilhões de chaveiros que ecoam seu atrito por onde passam.

Neste tempo remoto onde os primeiros eventos que ainda eram chamados humildemente de “encontros” tinha como objetivo principal algo que era muito difícil: conhecer alguém que gostasse do mesmo anime que um amigo seu havia emprestado um VHS com não mais que 3 episódios. A dificuldade de obter títulos era imensa, mas a de se fazer amizade e finalmente conhecer uma pessoa que partilhasse do mesmo gosto era pior ainda!

Era uma verdadeira caça. Íamos aos eventos animados, dispostos a converar com todos e loucos para, em uma banquinha onde um VHS ou um manga velho importado era vendido, alguém estivesse de olho em algo para que você pudesse dizer: “Eu adoro esse anime!” e dali surgir uma boa amizade.

A partir dali, você não estava mais só naqueles “encontros”. A partir do seu primeiro, você já entrava em um grupo e estavam sempre juntos fosse para assistir animes, trocar mangas e nos tempos mais complicados onde surgiram os primeiros cosplayers de anime do Brasil, conseguir um grupo de cosplay.

Tudo isso era muito bonito e devo dizer, era quase uma empreitada. Ergui diversas vezes a bandeira do movimento. Tínhamos sede por difundir essa cultura, nossos gostos. Quando aparecia algo relacionado a animes na televisão, todos gravavam, ficavam felizes e pensávamos: quando seremos respeitados pelo que gostamos? Não seremos vistos como os alienígenas ou como as crianças que assistem desenho animado?

Pois bem.

Este dia chegou.

Porém houve um erro. Algo que não estava em nossos planos.

Não havia mais pessoas querendo conhecer outras nos eventos, elas queriam competir com elas.

Aqueles que tanto tentamos fazer parte, aquele grupo que em nossa adolescência onde otaku era sinônimo de estranheza e queríamos tanto adentrar… Lembrei! O nome desse grupo é sociedade! Aquele grupo agora era chamado por nós, que nos denominávamos otakus de: humanos – no sentido de inferioridade, sem cultura e acreditem, RAÇA INFERIOR.

otaku que não admite ser otaku Otaku x Alienação   Quando o hobby ultrapassa limites e se torna algo nocivo

É possível gostar dos animes de forma saudável sem se alienar ou meramente “fingir a si mesmo” que não pertence ao grupo.

Cheguei a ter um sério conflito sobre minha idade. Refleti sobre estar envelhecendo quando comecei a notar que eu não mais sentia prazer a ir a eventos, ver pessoas disputando troféus de plástico em competições de cosplay, animekê, o que fosse, que terminam com xingamentos e humilhações na internet, que não achava mais legal ver aqueles que tanto se uniam brigando em nome de seu manga favorito.

Hoje me deparo com uma postagem no facebook em que grandes nomes da literatura, romancistas aclamados como Machado de Assis, Jorge Amado e Paulo Coelho, o último sendo o brasileiro best-seller em todo mundo, sendo menosprezado ao se dizer que jamais (ou CHAMAIS como diz a imagem) chegarão aos pés de mangakas como Hiro Mashima e Eiichiro Oda. Pior é que a partir daí os comentários incluem a chamá-los de tudo.

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Fanpage diz que grandes nomes da literatura nacional “CHAMAIS” chegarão aos pés de mangakas!

E então concluo que a “raça” otaku se tornou o que tanto desprezava.

Hoje vejo pessoas extremamente alienadas que negam a própria cultura, falam mal de sua nação com uma cangalha onde imaginam que viveriam no Japão, teriam poderes, etc.

Em seus iPods só existe música japonesa e coreana.
Em suas prateleiras, apenas DVDs de anime.
Em suas mentes apenas a cena onde seu personagem atua heroicamente, provavelmente baseada em uma cena que o autor deve ter lido em um dos zilhões de romances famosíssimos produzidos em terras tupiniquins e que esses jovens se vangloriam em cuspir.

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Com a ascensão do Facebook, não é dificil encontrar imagens como esta onde se sugere a superioridade e denominação de salvação otaku!

No Dia da Independência, recentemente, uma fanpage fez algo no mínimo curioso. Colocou Naruto vestido com as cores de nossa bandeira comemorando o dia. Uma ideia bacana para a data ser lembrada para a página que é dedicada a animes.

Infelizmente, fui ver os comentários e 90% deles diziam que a imagem era legal, mas o país, segundo eles, uma droga. Não sou extremamente patriota, mas só posso ver isso como um imenso desrespeito a nossa pátria, a nossa nação.

Li a pouco um comentário sobre o tema em que alguém dizia que eles (nós?), otakus, não são uma raça e sim uma ELITE DA SOCIEDADE.

Sim, nós erramos.

Criamos essa geração que se denomina a elite.

A geração que não quer conhecer alguém ao seu lado, pois pode gostar do anime ‘rival’ da Shonen Jump, ou alguem que além de animes assiste novelas ou filmes. Meninas que brigam porque tem casais de anime favoritos distintos, brigam e se ofendem em comunidades e fanpages afora. Os assuntos se resumem a animes, a menosprezar qualquer coisa que não seja o seu gosto – porém creio que neste lado toda esta geração de autoafirmação tende a impor seus gostos por mais excêntricos que sejam. Seria uma questão social?

A alienação chegou a um nível crítico e eu lamento profundamente dizer que tenho evitado ir a eventos e presenciar essas cenas, no mínimo, deprimentes.

Lamento mais um dia ter erguido a bandeira, criado fanworks e ter tentado ao máximo difundir essa cultura.

Hoje eu não mais quero ir a eventos. Prefiro, quando quero, assistir um anime, sentar em meu sofá e chamar aquele grupo de amigos e assistir. E mesmo assim ter ciência de que quando o encerramento do anime acabar, todos nós poderemos rir, conversar e lembrar que a vida real existe.

Esse post é quase um desabafo, mas é algo entalado que há muito precisava expor. Minha imensa tristeza em ver uma geração totalmente alienada, impossível de se socializar e que tem em mente ser uma elite.

Está na hora de colocarmos os pés no chão e abrir os olhos para a realidade e viver o momento visando nosso próprio futuro e não apenas se preocupar com o spoiler do manga da semana que vem.

E um dia tentar recuperar aquilo que tanto lutamos para ter e hoje perdemos com nosso próximo: respeito.

  • Gabriel-san

    Finalmente alguém que me entende..
    Eu posso me dizer novato nisso de “Otaku” pois comecei a ver animes MESMO em 2009, E Vejo pessoas Alienadas me xingando por ter gosto diferente e.e
    Oh My God, só porque eu gosto dos animes mais Old School mas enfim é isso agora é aguentar e esperar que essas pessoas cresçam no intelecto u.u

  • tenshihunny

    Eu sou “partidária” do mundo otaku desde muito pequena, então boa parte dos “problemas” pela pouca divulgação e preconceito eu acompanhei de perto.

    Você disse tudo, Mi, hoje mesmo uma criatura que eu julguei ser amiga minha cortou relações comigo porque ontem rolou um boato de que latino faria uma versão do fenômeno coreano “gangnam style” do cantor psy, e posers e otaquinhos fizeram a festa sentando o pau no cantor e no país. Eu não estou defendendo o Latino, mas alguém sequer conheceria aquela música tecno do leste europeu não fosse pelo hit festa no apê?? Eu acho que não…

    O que tanto os kpoppers quanto os otakus (isso quando não são ambos) querem é respeito, mas, muitas vezes, os tais autodenominados não respeitam os outros pra quererem alguma coisa de volta. Isso além de ser extremamente infantil é VERGONHOSO aos que realmente querem divulgação própria e respeito, pra dizer o mínimo.

    Recentemente uma garota nova começou aqui no trabalho e eu descobri que ela conheceu o kpop através das propagandas de mvs como Girls’ Generation nas lojas de eletrodomesticos – certo, ela ainda tem um puta preconceito com ouvir musicas em coreano, preferindo as versões em inglês mesmo o inglês dela não sendo lá essas coisas, mas eu vou humilhar a criatura por isso? CLARO QUE NÃO, já que ela mostrou interesse, eu vou sim, guiá-la do jeito certinho, como outros antes de mim fizeram – eu também tinha um puta preconceito com kpop e hoje pago-pau, por que não ela também?

    Eu acho que as pessoas tem que dar tempo ao tempo e crescerem. Não é porque você gosta de assisitir desenho (porque SIM, meus amigos, anime É desenho, desenho feito no japão) que você tem que se comportar como uma criança de quatro anos – perceba que eles estão sempre questionando que os outros o chamam de infantis por seus gostos, mas o comportamento deles não dá margem pra outro julgamento, na boa.

    Eu trabalho, faço faculdade, e digo sim pros quatro ventos o quanto eu amo cultura oriental e ninguém me banaliza ou desrespeita por isso – porque trato todo mundo igual e faço minhas coisas com responsabilidade. Você não precisa esfregar a “filosofia otaku” na cara dos outros pra ser respeitado, você só precisa, independente de suas preferências musicais, hobbies, etc respeitar as preferências alheias pra ser respeitado. É nisso que eu acredito.

    E eu nem ligo mais pra otaquinhos no facebook – muito bom falar mal do seu próprio país quando nem sua própria língua tu fala direito. Sinceramente? “chamais” e “chegaram” no passado? Ha. Ha.

  • sandra monte

    Nossa, isso que você escreveu é um pouco de mim. Hoje, arrependo-me de ter erguidos certas bandeiras…

  • http://www.facebook.com/people/Ivanilson-Almeida-de-Souza/100001151206376 Ivanilson Almeida de Souza

    Uma excelente matéria. Podemos ver ai novamente que o exagero e o fanatismo ilimitado prejudicam as pessoas. Vale como conscientização para que as pessoas saibam a que ponto levar o entretenimento. Não transformem isso a sua razão de vida, não cheguem ao ponto de segregrar outros grupos diferentes do seu gosto.Parabéns Michelle san. Mas não desiste de ir nos eventos não. Assim como você disse sobre convidar amigos para ver um anime, seria magnifico convidar os mesmos para passear por entre as festividades. Sim, há ainda um povo que precisa “crescer” nesse ambiente, mas tem muitas pessoas legais que sabem separar as coisas.

  • MaryFarah

    Isso pq a música do Psy tem ‘influência’ da ‘éguinha pocotó’, né?
    Voltando ao tema da coluna, EXCELENTE artigo, Michele. E eu sou contra ALIENAÇÃO EM TODOS OS ASSUNTOS. Tudo que é excesso, não é saudável, meu pai já dizia. Eu tenho sangue japonês de verdade nas minhas veias, sou a terceira geração da minha família. E não saio por aí falando que sou superior por isso. Gosto muito de animes, assisto, sei algumas palavras em japonês.
    Mas NASCI aqui. Meu país é este, é a terra em que vivo. Eu agradeço e honro meus ancestrais (tanto os japoneses quanto os libaneses), mas meu país é este.
    Morar fora daqui em qualquer lugar é difícil. O preconceito lá fora é MUITO maior.
    Mas eles são jovens demais pra entender isso.

  • http://twitter.com/joaopaulos1 É João…

    Pois é Mi,infelizmente você está certíssima….Pior é q isso tudo é por puro status…

  • Viviane Barbosa

    Adorei Michele! Me entristece essa babaquice que esses otakinhos propagam por aí! Todo mundo que pensa diferente é poser Fui chamada de poser por desistir de alguns animes nos primeiros 5 episódios. O certo, segundo eles, é ver metade do anime, pelo menos, ou continuar vendo pra falar mal. Desculpa aí, mas eu tenho uma vida e não vou desperdiçá-la vendo um troço do qual não gostei, nem vou ver todos os animes da temporada! Eu vejo animes desde que esses pentelhos estavam no saco dos pais deles! E não tinha a opção de fansubber de fitas, pra mim, pq não sabia nem que isso existia! Era totalmente refém da TV e revistas sobre o assunto! O pessoal perdeu o senso do ridículo! Quase todo dia tem alguém falando besteiras no facebook e no twitter.

    E como já disse no twitter: na minha época, anime era desenho japonês e mangá era gibi japonês. Não sei qual o problema nisso. ¬¬

    PS: prevejo otakinhos metendo o malho em JoJo’s Bizarre Adventure pq é baseado num mangá “velho”, a partir de outubro.

  • Kalleu

    Esse não é apenas o seu desabafo,é o desabafo de TODOS aqueles que viveram essa cultura aqui no Brasil.Me pergunto o que aconteceu, já que agora ao invés de tentarem se conhecer,respeitar,CURTIR os eventos agora só pensam em competição,superioridade,criar um “mundo paralelo” em forma de anime(mundo esse que nunca existirá).Dá um enorme tristeza quando lembro da evolução da cultura,de 2003 até hoje.

  • http://www.facebook.com/jef.prado Jeferson Luiz Prado

    É triste saber que essa geração atual de otakus realmente se aproximou e muito do otaku japonês e, sinceramente, as vezes parece não ser possível distinguir um do outro.
    Até a pouco tempo atrás (uns 3 ou 4 anos, mais ou menos) eu me considerava um otaku, mas somente pelo simples fato de gostar de anime (talvez não somente eu, mas muitos fãs de anime da década de 90 provavelmente se consideravam otakus pelo mesmo simples motivo).
    Gostava de ir aos eventos apenas para simplesmente assistir um anime que ainda não havia sido exibido aqui ao Brasil e conversar com os amigos. A internet era ainda um sonho para muito poucos e os primeiros fansubbers e distros já tinham surgido (alguém ainda lembra do BaC, Lum’s Club e Shinseiki anime?). “Caçava” fitas VHS de animes em locadoras para comprar (ou copiar, pedindo emprestado o videocassete do amigo ou vizinho). Mesmo assim, nunca deixei de assistir meus desenhos favoritos. Hoje não me considero mais um otaku, e sim um fã de animação em geral.Eu também vi no facebook esse post menosprezando os escritores brasileiros e fiquei muito indignado com isso. Sinceramente achei um desrespeito da parte de quem fez aquele post. Muitos livros da nossa literatura não somente foram adaptados em belas novelas e minisséries e, se fossem adaptados para animação (independente de animes ou cartoons), acredito que também seriam igualmente bem-feitos. Esse seu post, Michele, achei excelente, pois expressa bem o desgosto de uma geração “curiosa e feliz” de fãs de animação (para diferenciar-nos dessa geração de otakus “alienados” de hoje).

    • Marcelo

      Nao peguei essa epoca de VHS mas tbm sou geraçao 90 (89 na vdd eu nasci) e tenho msm sentimento q vc. Jah me considerei otaku por curtir animes ciente do significado original mas levando em conta q estamos aki no br porem os nao ha como dizer q eh otaku vendo o q eh um otaku hoje no brasil, sou apenas um fa de animaçoes e principalmente mangas.

  • http://twitter.com/stayafake Lucy Tennant-Suwabe

    “Em seus iPods só existe música japonesa e coreana.

    Em suas prateleiras, apenas DVDs de anime.

    Em suas mentes apenas a cena onde seu personagem atua heroicamente,
    provavelmente baseada em uma cena que o autor deve ter lido em um dos
    zilhões de romances famosíssimos produzidos em terras tupiniquins e que
    esses jovens se vangloriam em cuspir.” Tá, nessa parte eu fiquei com um pouco de medo de mim mesma, porque 85%-90% das músicas que eu tenho no celular são japonesas, tenho duas prateleiras só de mangá e boa parte do meu dia, eu passo pensando nas histórias que crio. Mas, enfim, direto ao ponto. Realmente, os otakinhos tão virando praga, na boa. Eu sou fã do Hiro Mashima e do Tite Kubo, mas falar que tantos grandes autores brasileiros “chamais chegaram” (essa doeu na minha alma) ao pés deles é pra desligar o pc, deitar na cama e chorar. Eu falo que sou otaku, tudo ok, porque levo no sentido “ocidental” da palavra. Mas eu também amo ver seriados britânicos, por exemplo. Não vou dormir ante

  • http://twitter.com/stayafake Lucy Tennant-Suwabe

    “Em seus iPods só existe música japonesa e coreana.

    Em suas prateleiras, apenas DVDs de anime.

    Em suas mentes apenas a cena onde seu personagem atua heroicamente,
    provavelmente baseada em uma cena que o autor deve ter lido em um dos
    zilhões de romances famosíssimos produzidos em terras tupiniquins e que
    esses jovens se vangloriam em cuspir.” Fiquei com um pouco de medo de mim mesma nessa parte, porque 85%-90% do que tenho de música no celular é japonesa, tenho duas prateleiras só de mangá e passo praticamente todo o meu tempo livre (que é pouco, mas ok) pensando em histórias.
    Mas indo ao ponto, os otakinhos tão virando uma praga mesmo. Eta, bando de jovem alienado (legal que eu falo como se fosse muito velha, eu faço 14 em Abril do ano que vem, então como pode ver, quando essa fase “underground” do “otakismo” acontecia eu nem era nascida). Sou fã do Mashima e do Kubo, mas falar que esses grandes autores brasileiros “chamais chagaram” (essa doeu na alma) aos pés deles é de desligar o pc, deitar na cama e chorar. A minha melhor amiga, por exemplo, sabe citar um bando de mangá mas nunca ouviu falar em O Auto da Compadecida. Meu vizinho sabe a história de One Piece de trás pra frente, mas também nunca ouviu falar nem no filme dessa peça. Ou seja, a juventude fã de anime (ai, eu e minha mania de falar como velha) tá perdida mesmo. Assumo que ri pra caramba dessa baboseira do “sangue japonês que trará cultura a esse país”. Meu filho, na boa. Vai se tratar, porque você tá bem chapado, viu. Eu falo que sou otaku, uso no sentido “ocidental” da palavra na boa, mas também, por exemplo, adoro seriados americanos. Sou apaixonada por Doctor Who, que é um ótimo seriado britânico. Adoro séries de livros como Percy Jackson e Harry Potter, mas também já li As crônicas de Nárnia e O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não é só porque você se denomina “otaku” que você tem que ser fechado só naquilo, poxa. Abra seus horizontes. Ah, e pelo amor do céu, você mora no BRASIL. B R A S I L. Se não gosta, GTFO ou lida com isso. (yep, eu sou um tiquinho patriotista. Culpe o Colégio Militar) Esse povo tem que aprender a lidar com seus hobbys e também a valorizar o que é seu, francamente.

    PS: Foi mal pela wall of text.
    PPS: Com uma coisa eu concordo com eles – as novelas da Globo realmente andam muito chatas, lol

  • http://www.facebook.com/people/Andre-Venancio/100002183547055 Andre Venancio

    Engraçado. Eu concordo plenamente com você Michele. As vezes me sinto mal por ter feito parte dessa geração da década de 90 que deixou um péssimo legado para essa juventude que não consegue abrir a mente para outras possibilidades. Ao propagar a cultura que tanto amávamos mais na perspectiva de amadurecer a visão quanto a ela, esquecemos de ir formando a nova geração que acabou bitolada. Eu aos poucos fui notando o quanto ir em eventos não me empolgava mais, discussão sobre animes ou mangás tão pouco. Até games vemos pessoas nessa situação, mas os “Otakus” estão numa crise que é lamentável. Eu particularmente gostaria de ver uma juventude que ver anime, ler mangá , mas ler também coisas importantes sobre a sua pátria, se forma politicamente e se apropria do mais diversificado capital cultural. Essa falsa elite declarada, é uma elite frágil que não consegue, não tem forças para estar lidando com a realidade. Esta que eu sei que é dolorosa, mas é que precisamos viver. Gostei do post, tinha até medo de pensar que outros podiam ter essa mesma leitura, mas é bom ver que as pessoas crescem.

  • http://www.facebook.com/people/Andre-Venancio/100002183547055 Andre Venancio

    O que acho engraçado nisso tudo é que geralmente as coisas provindas da cultura POP japonesa nos ajudam a problematizar a realidade, refletir sobre as coisas, formar amizades fortes e sermos pessoas de bom carácter o que infelizmente essa juventude transforma em algo elitista e surreal hahaha. Lamentável mesmo.

  • Nana Desco

    Opa , opa , “essa juventude” não! Nem todos na atual geração “otaku” agem dessa maneira … Devo confessar que realmente algumas coisas hoje em dia são extremamente ridículas e exageradas. No entanto nem todos que, assim como eu, adoram animes, mangás e afins são tão radicais e cegos à própria ingenuidade.
    Eu por exemplo, em meus 18 anos devo confessar que tenho um leve vicio para mangás, e animes… Mas não diria que seja a cultura oriental no geral, ouço sim, algumas musicas japonesas, mas nada me impede de ouvir Linkin Park, ou até mesmo Nuwance, ou até mesmo assistir animes me impediria de ver filmes, series, ou ler um bom livro, creio que sejam preconceitos tolos que a maioria insiste em compartilhar.
    Nem todos aqueles que nasceram durante a década de 90 estão desesperados para xingar o primeiro que vier falando que anime é coisa de criança … Bom, pelo menos no meu caso, eu não!
    Acho que gostar é uma coisa que vai de cada um, e cabe a aqueles que estão de fora respeitarem, e o mais importantes, aqueles adoradores também respeitar os gostos alheios, assim todos ficam felizes em suas vidas, cuidando do que lhes foi confiado.
    Adorei o desabafo Michele. ;)

  • Ninja Dog

    Otakus, elite? Só se forem elite da deficiência mental e da *unheta.
    Essa 2ª geração otaku (geração naruto/bleach/one piece) é de dar vergonha, sao piores que os hotakus japoneses.

    Os nerds & derivados ja sao parias na sociedade conservadora das “pessoas normais”, e essa nova geração de otakus faz questão de queimar mais ainda o filme, passando a imagem que sao adultescentes debiloides presos dentro do faz-de-conta, e depois nao querem que as pessoas comuns e a midia as enrotulem de “criançonas retardadas”

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      Os Nerds são párias, porque eles são iguaizinhos os Otakus de 2a geração como chamou, eles são extremamente preconceituosos, quem não entende alguma referência Nerd é um imbecil, existem as famosas brigas entre Trekkers e fãs de Star Wars e por aí vai. Custa curtir algo sem ser preconceituoso?

  • Nome

    Essas pessoas não são otakus…eles acham que são..que pena que no Brasil a maioria está errando o conceito

  • Valim_Yama

    Em minha cidade, fronteira com Rivera-Uruguai, a cultura era pouco difundida, as pessoas não sabiam muito sobre o assunto, e assim foi por anos. Dai um promotor de eventos natural daqui resolveu aparecer com um projeto de evento de cultura pop japonesa, e, com sua realização dois anos consecutivos, a cultura se espalhou muito rápido, tornando-se uma forma de status na região… Meus amigos, que eram poucos, e eu começamos a conhecer mais gente que sabia do que tava falando, ou às vezes achava isso.
    Neste ano, resolvemos, eu e mais três amigos, fazer um outro evento na cidade e eu pude sentir o que rola dentro de uma staff, muitos ali apenas entraram pra se acharem fodas e daí eu me dei conta, pude ver no que a maioria das pessoas que eu conhecia como simpatizantes da arte haviam realmente se tornado.
    Quando comecei a usar Facebook então… Páginas “Otaku” e Pseudo-Otakus disseminado porcarias virtuais e achando que vão mudar algo no país com isso, dizendo que Brasil é/está uma porcaria mas, às vezes nem noção de o que estão dizendo eles têm. Não sou patriota, não gosto de como se estrutura o país, porém não penso que com a “sabedoria adquirida em animes/mangás/jogos” vou poder mudar isso. Quando mais novo eu não enxergava isso.

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      É, o povo viaja, acha que a Genki Dama vai salvar o universo.

  • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

    Mi, que sensacional esse post, me fez lembrar o primeiro que a Thel fez e que você sofreu uma enxurrada de comentários depreciativos, sendo que o propósito daquilo era algo bom. Eu me lembro quando eu ia aos Encontros de RPG e esse movimento de alienação acho que começou ali, pois a rivalidade entre o RPG já era enraizada em todos os sistemas que existiam. O mundo Otaku naquela época, não existia na verdade, foi como você falou, estávamos todos tentando descobrir do que gostávamos, analisando novos desenhos, provando tudo o que tinha. No RPG existia o de mesa sem tabuleiro, o de tabuleiro e as famigeradas cartinhas e todos se odiavam e tiravam sarro um do outro, mas era algo extremamente saudável e quando um abria o coração do outro, surgiam grandes amizades e vocâ acabava provando daquilo que o outro gostava. É sabido que no Japão a própria cultura deles está se perdendo entre os jovens, as tradições dos antigos, passadas de geração em geração, hoje são mais fortes nos imigrantes japoneses aqui no Brasil do que lá mesmo. Jovens que se vestem como os seus personagens favoritos e vão ao colégio dessa forma, indo contra as regras das escolas e tudo mais. O mesmo está acontecendo aqui, mas não apenas entre os japoneses e sim entre todos os jovens que uma vez curtiram algum anime ou manga na vida. Cultura sendo perdida, ou melhor, nem aprendida. Triste isso. Parabéns mais uma vez, excelente texto.