São Paulo é conhecida como a terra da garoa, mas para esse simpático escritor, poderia ser a terra das névoas, onde horrores da noite se misturam a população e ao cheiro de pizza.
Pai de família dedicado, fã de videogames e cinema, André Vianco já escreveu humor na rádio Jovem Pan, quis ser médico, e corajosamente investiu o FGTS, ganho após uma demissão para financiar seu maior sonho: Escrever. Seus romances atingiram a tiragem de cerca de quinhentas mil cópias e abriram espaço para a criação de um mercado nacional de literatura fantástica, hoje bastante aquecido por autores como Eduardo Sphor e Raphael Draccon.
Como tudo começou ? Quem era o André Vianco antes da literatura? O que ele aspirava e como entrou no caminho da fantasia?
Tudo começou quando percebi que eu inventava histórias mais legais que aquelas que via no cinema. Quando eu ia assistir um filme e via um trailer, ficava imaginando uma história muito louca, doido para assistir o tal do filme do trailer. Daí, quando o filme saía de fato era uma porcaria. Um dia comecei a escrever histórias e fui tomando gosto pela coisa. O caminho da fantasia veio pela minha predileção pelo terror e fantasia.
Como é o seu dia? Qual a sua rotina como escritor profissional?
Tenho uma rotina bem prática. A parte da manhã é visitar as redes sociais, dar uma sapeada nas notícias em portais, responder e-mails e entrevistas como essa aqui. Resolvo também a parte burocrática do escritório e a tarde reservo para escrever roteiros e a noite o meu (ainda) hobby, que é literatura.
Como é ser o primeiro autor brasileiro de fantasia a entrar nas listas de Best sellers mais importantes de um país sem nenhuma tradição forte nesse tipo de literatura?
Foi uma conquista e tanto, cheio daquele negócio de “eu já sabia”, eu sabia que tinha leitores brasileiros ávidos por esse tipo de literatura. Foi uma delícia conseguir conquistar um pedaço das prateleiras e uma multidão de leitores.
Durante muito tempo você foi o carro chefe da Novo Século no segmento fantástico. Por que a mudança para a Rocco?
A Novo Século fez e faz ainda um ótimo trabalho. A aposta em publicar também com a Rocco é mais estratégica. A Rocco também é uma excelente editora e tem um relacionamento mais forte em áreas que a Novo Século ainda não alcança. Mas ainda publico com as duas editoras.
Você explorou fantasmas, anjos, mas principalmente vampiros. Isso foi intencional em termos criativos ou houve influencia mercadológica?
Foi uma coisa de afinidade. Eu sentia falta desse tipo de história escrita por brasileiros, com nosso jeito.
A editora lhe deixa livre para criar ou existe um prazo para um romance novo? Como funciona isso?
Não existe pressão das editoras. Curiosamente há mais cobrança dos leitores do que dos editores.
Como andam os projetos da versão live action do turno da noite? Você mesmo que escreve, produz e dirige? Como é a experiência de ver uma história sua em uma mídia diferente?
Concluímos um episódio piloto de seriado. Está em fase de negociação. Abri em 2010 a Criamundos para justamente dar vazão as minhas obras em audiovisual. É emocionante ver as coisas saindo do papel.
Quais são as suas influencias dentro da literatura fantástica?
Na real é um mix de muitos formatos não se fixando só em literatura. A fantasia vem principalmente do cinema e videogames, como histórias em quadrinhos também, um bom exemplo de quadrinho que mexeu com minha imaginação é a série Akira. Em literatura curto muito Henry James, Alan Poe, Stephen King, o pacote completo.
Como é seu processo criativo? O que te inspira?
O que me inspira é sempre contar uma história melhor, uma história que deixe o leitor de queixo caído.
Os Sete não foi o primeiro romance fantástico brasileiro, mas ele abriu as portas para muitos novos autores. O que você diria àqueles que querem seguir o caminho da ficção fantástica? Como é entrar nesse mercado?
Perseverança, força de vontade e muito trabalho, não é fácil, nem nunca será. Viver de literatura é algo que exige muito do escritor, é um pacto com a sua próxima história. Você deixará de estar em lugares, de sair com amigos, para ficar na frente de um computador, de um calhamaço de folhas, seja como for que você escreve para que aquela história chegue ao seu leitor. Não é fácil, mas é uma delícia. hehehehe.
Quais autores da nova geração você indicaria e por quê?
Sempre indico Cristina Lasaitis, Kizzy Isatis, Raphael Draccon, além de ótimos escritores, são grandes amigos.
A crítica especializada denominada “séria” ainda olha com desdém para esse tipo de ficção, algo que não ocorre em países como os EUA. Agora abra o coração e diga o que você quiser para esses “ críticos”.
Não perco tempo pensando nisso, não. Os críticos não pagam minhas contas. hehehehe. Meu negócio é escrever, não é ganhar prêmio. Estou ocupado demais escrevendo novos litros e produzindo cinema para ficar bolado com o que a crítica está ou não escrevendo. Tem outra coisa, esse preconceito está caindo. Fica mais segregado aos nichos acadêmicos, na mídia, a fantasia já é bem vista.
Qual seu novo projeto? Pode falar um pouco sobre isso?
Estou trabalhando no momento no livro “A Noite Maldita”. É um livro apocalíptico, cairá bem para 2012 não é? hehehehe. É uma história contando como começou tudo em Bento.
Agora vamos ao André Vianco pessoa. Sua família lhe apoia? Como é o pai Andre Vianco? Seus filhos gostam do que você escreve, pretendem seguir seus passos?
Parte família, poxa, a família apóia, sim. Meu pai morreu faz um ano e meio. Minha filha mais velha, com 12 anos começou a ler meus livros e a curtir. Ainda é cedo para saber se seguirão ou não os meus passos, mas a arte já está no sanguinho delas.
Um filme?
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.
Um livro?
Snow Crash
Um seriado?
Fringe
Um jogo de videogame?
Left 4 Dead
Uma história em quadrinhos?
Akira!
Quando André Vianco se olha no espelho ele vê?
Um cara que não faz a barba.













































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