A união do roteirista Beto Skubs com o desenhista Rafael de Latorre e o colorista Marcelo Maiolo (que atualmente trabalha numa das mais importantes editoras de quadrinhos do mundo, a DC Comics) resultou em “Fade Out: Suicídio Sem Dor”, HQ autoral nacional de qualidade que será lançado essa semana. Obviamente, o NósGeeks bateu um papo com Skubs (pai da ideia) e com Maiolo, que ajudou na produção da revista.
A história segue uma premissa interessante: como se suicidar sem parecer um verdadeiro covarde aos olhos dos amigos? Kurt é um garoto que contempla o suicídio. Ele quer se matar, mas tem problemas morais, religiosos e familiares que o impedem. Quando ele encontra pistas sobre um serial killer em atividade, tem a oportunidade de refletir sobre sua própria vida e questões práticas da sua existência.
Lotado de referências à cultura pop (como cinema, TV e música) e ao universo das produções norte-americanas, a HQ tem um ritmo ágil e divertido. “Fade Out: Suicídio Sem Dor” será lançado de forma independente e deve chegar às lojas em breve. Mais informações no link http://www.facebook.com/SuicidioSemDor.
- Beto Skubs, roteirista:
NósGeeks: Como surgiu a ideia de “Fade Out”?
Beto Skubs: A história foi criada originalmente para ser o roteiro de um filme, um longa-metragem [Skubs já escreveu, dirigiu e produziu os curtas-metragem “La Esmeralda”, “Secretária Eletrônica” e “Vestígios”, além do média-metragem “Viver Outra Vez”]. Trabalhei no texto por muito anos.
NG: E como o texto acabou virando HQ?
BS: Conheço o Rafael [de Latorre, desenhista] há muito. Ele estava procurando um trabalho para fazermos juntos e acabei mostrando meu roteiro para ele. Ele leu e adorou. Foi ele que me convenceu que “Fade Out” daria uma boa história em quadrinhos. Ai começou todo o processo de adaptação do texto do roteiro cinematográfico para o texto da HQ. Todo o processo [de adaptação e de criação dos desenhos] durou um ano e meio.
NG: Então caiu meio que ‘de gaiato’ no quadrinhos?
BS: [risos] Foi bem isso, cai de paraquedas. Não conheço muito de HQ, mas o Rafael conhece, me deu confiança e me convenceu que teria um resultado bacana.
NG: Você acompanha HQs atualmente?
BS: Nem tanto, lia mais histórias em quadrinhos quando era criança, quando lia Turma da Mônica ou os gibis da Disney. Na adolescência li Batman: Cavaleiro das Trevas, Watchmen e V de Vingança, mas nunca fui a fundo. É um universo novo para mim.
NG: Como você vê o mercado editorial brasileiro atual?
BS: Atualmente, acho que o brasileiro tem dado mais atenção às histórias em quadrinhos. Com Hollywood apostando cada vez mais em adaptações cinematográficas de grandes sucessos dos quadrinhos, o mercado de HQs está aquecido.
NG: Mas, mesmo com a HQ, desistiu de ver sua história na tela do cinema?
BS: Não, de jeito nenhum. Criei o texto de ‘Fade Out’ para ser um roteiro de cinema. Ele acabou indo parar no papel, mas ainda quero transformá-lo em filme. Inclusive, o sucesso da HQ pode ajudar nesse processo. Vai que algum produtor lê o material e se interessa em fazer o longa?
NG: Como o Maiolo entrou na jogada?
BS: O Rafael já conhecia o Maiolo, que estava procurando um trabalho mais autoral para fazer. Nós mostramos o texto e alguns desenhos para ele e ele adorou. É um prazer e um orgulho muito grande ter esses dois profissionais ao meu lado. Me dá muita confiança.
- Marcelo Maiolo, colorista:
NósGeeks: O que achou do projeto “Fade Out” e o que te levou a entrar nele?
Marcelo Maiolo: Quando o Rafael e o Beto me mostraram o projeto, vi que era uma grande oportunidade. Já tinha trabalhado com o Rafael numa agência há alguns anos, mas nunca tínhamos feito nenhuma HQ juntos, essa era uma chance ótima. Além disso, o texto do Beto é ótimo, cheio de referências do universo pop.
NG: Como vê esse tipo de produção no Brasil?
MM: O Brasil Tem HQ’s com qualidade muito boa. É mais difícil de se ver uma HQ “autoral” [como Fade Out] colorida. Não com essa qualidade. A maioria é tudo em p&b [preto e branco]. Nesta produção, a linguagem tanto do roteiro, do desenho e da cor é muito parecida com as do EUA.
NG: Você trabalha na DC Comics, o sonho de muita gente. Como é?
MM: É bem isso mesmo, um sonho. Nem tanto pela empresa em si [ele já trabalhou para a Strika Entertainment, para editora Dark Horse, para a Dynamite Entertainment e, atualmente, para a DC Comics], mas sim pela estruturas que os caras dão. É magnífica.
NG: Atualmente está trabalhando em que HQ?
MM: Desde 2009 trabalho para a DC Comics nos títulos de horror Demon Knights e I Vampire e para a IDW na série True Blood. Já passei também por Superman, Wondergirl e Teen Titans.













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