[Na Estante] As Últimas Quatro Coisas – a excelente continuação de A Mão Esquerda de Deus

Quando você começa a ler muitos livros, praticamente devorá-los, você vai se apegando a autores e cada autor te fascina em uma área em que ele domina. Por exemplo, Bernard Cornwell é para mim um excelente escritor de romances históricos e narrativa em primeira pessoa. Raphael Draccon, autor brasileiro é um dos melhores de Transmídia Storytelling, levando coisas que você já conhece a um mundo totalmente novo. J.K. Rowling é a melhor escritora de fantasia infanto juvenil. E aí você começa a se adensar em cada autor e perceber as características próprias que eles imprimem em seus livros, daquele jeito que você nem precisa saber o autor antecipadamente para saber que é “ELE” ao ler a obra.

É assim com Paul Hoffman, não vou falar que eu me apaixonei por A Mão Esquerda de Deus (review aí no link), pois é muito difícil se apaixonar por Thomas Cale. Ele é um protagonista diferente de tudo o que você já leu, um garoto brutal e sem alma, que por onde passa a grama praticamente não nasce mais.

O primeiro livro, nos apresentou o personagem Thomas Cale, um garoto maltratado pela vida e por seus “captores” os Redentores, um grupo de religiosos fanáticos que querem conquistar o mundo e que treinam crianças para serem máquinas de guerra, seja matando ou na estratégia. Thomas é um dos melhores estrategistas e táticos que já se viu. Ele tem a habilidade de prever e analisar cada detalhe de um terreno ou de uma situação e tomar ações para conquistar o que quer.

A Mão Esquerda de Deus, foca bastante nessa criação do personagem e em como ele se tornou aquela criatura fria e assassina. Em As Últimas Quatro Coisas, o que vemos é a sua genialidade ante as adversidades.

Na minha mais modesta opinião, o 2o livro da trilogia, As Últimas Quatro Coisas, é bem melhor que o primeiro. Quem já leu Bernard Cornwell e gostou, vai se empolgar demais, pois imaginem um livro, onde 90% dele são estratégias e táticas de guerra e elas acontecendo e Cale aprendendo com os seus erros.

Paul Hoffmann, o autor do livro é simplesmente genial. Se Bernard Cornwell é um mestre em descrever batalhas e cada movimento dos soldados e das lutas com detalhe, Paul Hoffmann é um mestre em descrever guerras e suas estratégias, através do olhar de Cale, conseguimos ter a visão do todo que está acontecendo e isso é perfeito.

Além disso, ele traz ainda mais a brutalidade, essa é a sua característica principal, na narrativa. Ele te surpreende a cada momento e te faz ficar com raiva dos personagens e embasbacado (do tempo do meu vô essa aí) com aqueles que morrem.

As pessoas que leemm muito e veem muitos filmes, tem a mania de serem adivinhas e tentarem adivinhar toda a trama antes mesmo de ela acontecer, fica aqui o recado: com As Últimas Quatro Coisas você não vai conseguir fazer isso!