Steven Spielberg adora histórias que mostram que a força da amizade e do amor pode superar qualquer obstáculo. É assim com “E.T.: O Extraterrestre”, onde floresce uma amizade entre um garoto e um alienígena, “A.I. Inteligência Artificial”, a aventura robótica do diretor e até mesmo em “Super 8”, filme que ele não dirige, mas ajudou J.J. Abrams a produzir. Em Cavalo de Guerra, seu mais recente trabalho e que chegou aos cinemas brasileiros esse final de semana, ele mostra que nem mesmo uma guerra pode separar uma amizade verdadeira – mesmo entre humanos e animais.
Albert Narracott (Jeremy Irvine) é um garoto que vive na Inglaterra do início do século passado. Ele fica encantado por Joey, o cavalo do título que seu pai, Ted (Peter Mullan) compra. O garoto é responsável por todo o treinamento do animal, e a amizade e o amor entre ambos só se fortalece. Contudo, Joey acaba vendido para a cavalaria britânica e acaba em meio à Primeira Guerra Mundial.
Pronto, prepare-se para muita emoção em duas horas e 26minutos de filme – que passam num piscar de olhos. Cavalo de Guerra é tudo o que o cinema de Spielberg tem de bom, uma mescla de drama com o mais puro cinema de guerra, embora essas imagens sejam bem mais “mornas” do que as vistas em suas outras produções.
Obviamente, Cavalo de Guerra é um filme-família, por isso, as cenas de guerra são leves. Nada de corpos sendo destroçados por tiros e nem sangue escorrendo pelas espadas dos soldados britânicos. Eis aqui um ponto negativo do longa. Embora as sequencias de guerra sejam muito bem produzidas, elas são bem diferentes de O Resgate do Soldado Ryan, por exemplo. As mortes, muitas vezes, são tratadas de modo subjetivo.
Por exemplo, quando um soldado está cavalgando Joey em meio à batalha, a câmera dá um close em seu rosto, que estampa o pavor da guerra. A imagem fica em câmera lenta, e em seguida, Joey surge cavalgando, sozinho, em meio à floresta. Desnecessário dizer o que aconteceu ao soldado.
Porém, essa “falta de violência”, totalmente compreensível, é o único grande equívoco do filme. O restante é uma série de acertos de encher os olhos. Primeiro, pelas boas atuações, principalmente por Tom Hiddleston (sim, o Loki de Thor), que vive o Capitão Nicholls e a impecável e fenomenal Emily Watson, que vive Rose, mãe de Albert. É ela entrar em cena e pronto, chama a atenção com seus lindos olhos azuis tão perturbadores.
Abro uma menção ao próprio cavalo que “vive” Joey. Mesmo ele sendo um animal e sem dizer uma única palavra, o espectador é capaz de compreender, com seu olhar, o seu sentimento.
Juntando-se ao bom elenco, a fotografia de Cavalo de Guerra é, de longe, o grande trunfo do filme. Com um início colorido e alegre, ele se transforma numa produção escura e sombria durante a guerra. Incrível como, em plena época da computação gráfica e dos efeitos especiais, Spielberg só precisa de uma câmera, um cavalo, um pasto e luz do sol para fazer um filme visualmente primoroso. Deve concorrer ao Oscar deste ano nesta categoria (e em outras também).
A jornada de Albert e Joey, o potro que se transforma num verdadeiro cavalo de guerra, é um desses filmes gostosos e emocionantes. Cheio de passagens impactantes, mostra o contraponto da raça humana. Como podemos amar ou maltratar um mesmo ser vivo. Joey passa por maus momentos. Albert também. Mas, no fundo, tudo o que eles querem é estar juntos novamente. E Spielberg soube nos mostrar essa história com maestria. Poderia ser melhor em algumas partes, mas ainda assim é um grande filme.













































