Muito tem se falado sobre ‘Prometheus’ desde que ele foi anunciado. E os motivos são vários: é a volta do grande diretor Ridley Scott (Blade Runner, Gladiador) à ficção-científica – gênero que o consagrou – e também é o retorno de Alien às telonas, uma vez que o novo longa é um prequel da saga, que teve o primeiro filme lançado em 1979. O fato é que ‘Prometheus’ usa uma fórmula tão batida e sem surpresas que mais parece um remake de ‘Alien – O Oitavo Passageiro’ do que um filme inédito.
A história parte de uma dúvida que todos os seres humanos já se fizeram ao menos uma vez: de onde viemos. Buscando responder essa pergunta, os cientistas Charlie Holloway (Logan Marshall-Green) e Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) encontram imagens em vários pontos diferentes do planeta, mas sempre com pontos em comum: figuras gigantes apontando para o espaço.
Com base nesses desenhos, eles conseguem identificar uma galáxia que tem o mesmo desenho das pinturas. Quatro anos depois, os dois fazem parte da nave Prometheus, que está seguindo diretamente para esse ponto da galáxia devido ao investimento do empresário Peter Weyland (Guy Pearce). Fazem parte da tripulação da nave o capitão Janek (Idris Elba), a Dr. Meredith Vickers (Charlize Theron) e o robô David (Michael Fassbender).
Ao chegar à lua do tal planeta, eles descobrem um ambiente compatível à vida. Além disso, o lugar está em processo de “terraformação” (processo hipotético de modificar a atmosfera e temperatura de um corpo celeste sólido até deixá-lo em condições adequadas para suportar um ecossistema com seres vivos da Terra). Porém, o que o grupo de especialistas encontra na lua transforma a pesquisa numa batalha pela sobrevivência.
O roteiro – escrito por Jon Spaiht e Damon Lindelof – pode parecer inovador. Mas só parece. Na prática, não é bem isso que acontece. A montagem, a estrutura, o modo como o filme é conduzido por Ridley Scott é simplesmente idêntico à de “Alien”, filme que já completou 30 anos. A fórmula é a mesma: um grupo de cientista chega num lugar inóspito, vasculha o tal lugar, encontra uma nova forma de vida (que não se mostra nem um pouco pacífica), que ataca os tripulantes. Esses, por sua vez, precisam lutar pela vida.
Nem mesmo o elenco estelar ajuda em ‘Prometheus’. Grandes nomes são subaproveitados com personagens fracos e sem carisma. Exemplos saltam aos olhos: Idris Elba (Thor, Obsessiva) que vive o capitão da nave, e, infelizmente, Charlize Theron (Monster, Branca de Neve e o Caçador), que vive a comandante e “investidora” da Prometheus. Ambos parecem ter sido escolhidos apenas para reforçar o apelo ao público, já que vivem personagens rasos.
Michael Fassbender, que vive o robô David, está bem no papel. O único problema é que ele remete – diretamente – à outro robô da ficção: HAL9000, do clássico ‘2001 – Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick.
A única que realmente se mostra competente – até porque o papel permite, já que é a grande protagonista – é Noomi Rapace (da trilogia original sueca Millenium e Sherlock Holmes: Jogo de Sombras). Ela vive Elizabeth Shaw e convence na pele da cientista. É responsável pelas sequências mais tensas do longa, como por exemplo, quando precisa fazer uma cirurgia de extração na própria barriga.
Se o roteiro não empolga e o elenco parece subaproveitado, ao menos as questões técnicas são competentes. Trilha sonora, efeitos visuais e fotografia são usados para dar à ‘Prometheus’ um tom sombrio e nervoso. As paisagens do novo planeta, a nave e a sequencia final mostram uma qualidade técnica acima da média. Uma única reclamação vai à maquiagem de Guy Pearce, que vive o velho Dr. Weyland: muito mal feita.
No final, ‘Prometheus’ pode ser analisado de duas maneiras. A primeira, se você não assistiu ao primeiro ‘Alien’ e não for com muita empolgação ao cinema, vai achar um filme de ficção-científica com um bom suspense, boas sequências e que se mostra correto. Porém, se você gosta das produções de Ridley Scott e espera ver um novo clássico surgindo ou um filme que surpreenda – como o filme foi vendido, vai cair do cavalo.
Ao término da projeção, fica aquela sensação de que faltou alguma coisa. Ridley Scott apostou numa fórmula batida e nada moderna para contar a história de um futuro próximo. Decepção, talvez, seja uma palavra muito forte para descrever esse sentimento, mas pode ser a mais adequada. Porém, a ligação com ‘Alien – O Oitavo Passageiro’ é convincente e, além de tudo, o diretor deixa uma brecha para um segundo filme. Tomara que ele faça algo mais imprevisível.
PS. Não recomendo a versão em 3D do filme. Ao menos na sala onde eu assisti, a projeção foi ruim e a qualidade do recurso não estava boa. Prefira a versão 2D comum.

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