[Crítica] ‘O Espião Que Sabia Demais’ apresenta trama complexa e inteligente

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Quando falamos em agentes especiais e espiões no cinema, inconscientemente nos lembramos de Pierce Brosnan, Sean Connery ou Daniel Craig nos filmes da saga 007, ou então de Tom Cruise nos longas da série Missão Impossível. Talvez por isso, “O Espião Que Sabia Demais”, que estreou na semana passada, surpreenda tanto positivamente. Diferente de tudo, o filme apresenta uma trama um tanto quanto lenta, porém densa, complexa e inteligente, com um desfecho, no mínimo, sensacional.

“O Espião Que Sabia Demais” (Tinker, Tailor, Soldier, Spy no original) é dirigido por Tomas Alfredson, o mesmo de Deixe Ela Entrar, de 2008 (não confunda com o remake americano, Deixe-Me Entrar, lançado em 2010 por Matt Reeves) e baseado no best-seller escrito pelo ex-espião John le Carré.

A trama se ambienta no ano de 1973, em plena Guerra Fria. O Serviço de Inteligência britânico (Circus) envia um espião para a Hungria. Sua missão é simples: descobrir quem, dentro da Circus, está transmitindo informações importantes à KGB. Trocando em miúdos: há um traidor, um agente duplo, dentro do Serviço de Inteligência. A missão fracassa, o que desencadeia uma série de mudanças na cúpula do comando.

Um dos agentes que perde suas funções é George Smiley (Gary Oldman, o Sirius Black da série Harry Potter). Mas quando ele já está se acostumando à ideia de aposentadoria, eis que é chamado para liderar uma missão especial: descobrir quem, entre os agentes restantes da Circus, é o infiltrado dos soviéticos.

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Como dito acima, o forte de “O Espião Que Sabia Demais” é o seu roteiro. Sagaz, inteligente e complexo, esqueça as cenas de perseguição, lutas e explosões que abarrotam os filmes do gênero. Afinal, nada melhor do usar o seu cérebro num filme sobre uma verdadeira batalha entre agentes de inteligência. Até existem umas cenas ou outras mais pesadas, mas no geral, “O Espião Que Sabia Demais” é lento (o que não é um ponto negativo).

Lentidão essa que, infelizmente, não agrada muito o público brasileiro. Prova disso foram as várias pessoas que deixaram a sala de cinema durante a projeção do filme quando eu o assistia. O que é uma pena, dois deixaram de assistir, fácil, a um dos melhores filmes desse começo de ano.

A não-linearidade e a subjetividade do roteiro são envolventes. Algumas cenas, sem explicação, exigem do espectador boa percepção do público. É um daqueles filmes que te fazem pensar e exigem atenção máxima. Um cochilo ou uma legenda não lida e você pode perder todo o fio da meada.

Além do roteiro, outro ponto forte do longa são suas atuações. John Hurt (o Sr. Olivaras, também da série Harry Potter), sempre ótimo, interpreta o líder da Circus, Control. Tom Hardy (o Bane, em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e Colin Firth (vencedor do Oscar por O Discurso do Rei, no ano passado), também agradam.

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Benedict Cumberbatch, que vive Sherlock Holmes na série da BBC e vem se tornando um dos queridos de Hollywood (inclusive, ele viverá o dragão Smaug em O Hobbit), chama a atenção. Mas bem mesmo está Gary Oldman, o que não é novidade. Sua atuação, inclusive, foi lembrada pela academia e ele concorre ao Oscar 2012 como melhor ator.

Enfim, “O Espião Que Sabia Demais” é uma boa pedida para quem busca por um filme inteligente e envolvente. Algumas pessoas podem achá-lo lento demais e que “nada acontece” durante a projeção. Mas dê uma chance ao filme e você terá a oportunidade de assistir à um dos melhores filmes dessa primeira leva de 2012 – com um final empolgante e simplesmente incrível.

  • Knoxville

    Poderia me enviar uma explicação?

    • http://www.nosgeeks.com.br Gui Loureiro

      Do que?