Há dez anos, os cinemas de todo o mundo recebiam “Homem-Aranha”, primeiro filme do herói aracnídeo dirigido por Sam Raimi e estrelado por Tobey Maguire e Kristen Dunst. Um bom filme, isso é inegável, superado pelo segundo filme lançado em 2004 e que teve um desfecho que todos nós queremos esquecer em 2007. Apesar de representar bem o universo do Aranha nas telonas, os filmes de Raimi deixavam um gostinho de que faltava alguma coisa – principalmente para os fãs das HQs.
O tempo passou, a Marvel resolveu que não havia mais lugar para Maguire, Dunst ou Raimi dentro da franquia e resolveu seguir por um caminho que foi muito criticado: fazer um reboot do Homem-Aranha. O fato é que, você leitor, pode achar apressado ou desnecessário esse recomeço, mas “O Espetacular Homem-Aranha”, filme que chega aos cinemas brasileiros neste final de semana, mantém a aura do cabeça de teia das HQs, melhora e muito alguns pontos dos outros filmes e se mostra uma produção mais completa do que o longa lançado em 2002.
Agora nas mãos do diretor Marc Webb (de 500 Dias Com Ela), temos uma história muito mais focada no próprio Peter Parker, e não no heroi Homem-Aranha. O filme se tornou mais denso, profundo, mas sem perder a sua característica, que é a acão. Ou melhor, mantendo as principais características que adoramos no personagem dos quadrinhos, mas que não foram reproduzidas por Maguire e Raimi na primeira trilogia.
Aqui Andrew Garfield dá vida (de modo magistral) ao “Amigo da Vizinhança”. E não tenha dúvidas: Garfield é “O”Peter Parker, “O” Homem-Aranha. Ele vive nas telas aquele mesmo personagem das histórias, cheio de sarcasmo, ironia, bom humor e com uma piada pronta, mas também solicito e de bom coração quando necessário. Coisa que os filmes anteriores deixaram de lado, ao apostar num Peter mais tímido e introvertido. Até mesmo fisicamente – mais esguio – Andrew se sai melhor do que Maguire.
Como dito, o foco é na história do personagem, que você já conhece. Peter é um jovem do ensino médio que cresce criado pelos tios – os adorados Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). O fato é que, um dia, ele encontra uma pasta e descobre que seu pai Richard, que o abandonou junto a mãe quando ele ainda era uma criança, trabalhou na corporação Oscorp, uma das mais poderosas de Nova York.
E ele descobre mais: ao lado de um cientista chamado Dr. Curt Connors (Rhys Ifans), ele estava desenvolvendo uma pesquisa pioneira envolvendo a mistura de características genéticas animais e humanas. Ao conhecer o Dr. Connors, ele descobre que o cientista quer criar um soro capaz de fazer com que o ser humano reconstrua partes do corpo – assim como algumas espécies de lagartos – para recuperar seu braço direito.
Ai que tudo desanda. Numa visita à Oscorp, Peter acaba sendo mordido por uma aranha, que lhe dá poderes, como força e agilidade. Ao mesmo tempo, ele ajuda o Dr. Connors a desenvolver uma vacina que transforma o próprio cientista em Lagarto, um réptil gigante que quer “salvar” a raça humana. Obviamente, cabe a Peter parar o maníaco.
Ai talvez more a principal vitória de “O Espetacular Homem-Aranha”. O enredo é redondinho, funciona super bem, e mostra sempre um Peter cheio de dúvidas e responsabilidades, tendo de lidar com os poderes recém-adquiridos. Como ele mesmo diz em certa cena do filme, tudo o que está acontecendo é por culpa dele, e cabe então a ele próprio consertar as coisas.
Junto a tudo isso temos Gwen Stacy (a ótima Emma Stone). Amiga de Peter e novo par romântico do herói. E, que me desculpem os fãs de Kristen Dunst e Mary Jane, mas Stacy é uma personagem muito mais interessante. A relação entre ela e Peter é, fácil, uma das coisas mais legais de todo o filme. Além disso, ela se mostra uma ótima parceira do herói e parte para ajudá-lo quando necessário. E vamos combinar: a Emma Stone nasceu para viver Gwen Stacy no cinema. Ninguém poderia fazer a personagem melhor do que ela.
Claro que um filme do Homem-Aranha não seria completo sem as cenas de ação. Ouso dizer que, ao lado de “Homem-Aranha 2”, com Dr. Octopus, “O Espetacular Homem-Aranha” tem as melhores cenas de luta dos quatro filmes do aracnídeo. Destaque aqui para a sequência na qual o herói enfrenta o Lagarto na própria escola. Além de fazer o espectador ficar tenso com a batalha, vai fazê-lo rir também com uma participação mais do que especial de Stan Lee, criador do Homem-Aranha.
O 3D só ajuda nisso tudo. O recurso em “O Espetacular Homem-Aranha” é, fácil, um dos melhores vistos nos filmes mais recentes. A sensação de voar por Nova York com o 3D é uma sensação única, ainda mais quando a câmera surge em primeira pessoa – uma boa sacada. Não vou falar muito dos efeitos visuais e da trilha sonora, porque ambos estão ótimos e empolgantes, assim como a fotografia.
Como nem tudo são flores, o filme tem seus “defeitos”. Duas coisas me incomodaram um pouco. A primeira é o vilão. Achei que faltou algo no Lagarto, para deixá-lo mais medonho. Além do que, visualmente falando, ele deixa a desejar. O final, quando o Homem-Aranha é ajudado por pessoas comuns, mostra um pouco do clichê e do “patriotismo americano”. Também achei desnecessário. Mas nada que atrapalhe o resultado final.
Muitos torceram o nariz quando o reboot de “Homem-Aranha” foi anunciado, mas o fato é que o novo filme do cabeça de teia nos apresenta um herói mais humano, e essa humanidade acaba por aproximá-lo ainda mais do espectador. No final, Peter Parker é só um cara que quer ajudar a colocar as coisas em ordem. Talvez, qualquer um na pele dele faria o mesmo.
Não podemos esquecer da trilogia dirigida por Sam Raimi e que colocou Tobey Maguire na pele do Aranha. Ela tem qualidades que não podem ser esquecidas – principalmente o segundo filme. Mas não se pode negar que Marc Webb, Andrew Garfield e Emma Stone fizeram de “O Espetacular Homem-Aranha” um filme magnífico. É a origem que você já conhece, mas de uma maneira diferente.
Se for para escolher entre esse filme e o lançado em 2002, não tenho medo de afirmar: este aqui é melhor. E que venham os próximos – afinal, a Marvel já anunciou uma nova trilogia de um dos heróis mais queridos do público.


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