Os contos escritos pelos Irmãos Grimm datam do século XIX – por volta do ano de 1812. Entre as tramas criadas pelos alemães, estão clássicos como Rapunzel, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve. Dois séculos depois, as histórias criadas pelos alemães não poderiam estar mais atuais. Em 2010, a Disney lançou a sua versão da princesa de cabelos longos com “Enrolados”. Um ano depois, “A Fera”, com Vanessa Hudgens, trouxe a versão moderna de A Bela e a Fera. No mesmo ano, Amanda Seyfried viveu a Chapeuzinho em “A Garota da Capa Vermelha”. Em 2012, porém, é a Branca de Neve que ganhou destaque, e com dois filmes: “Espelho, Espelho Meu” e o bem produzido “Branca de Neve e o Caçador”.
Nas primeiras imagens e vídeos do longa, o que logo chamou a atenção do público foi mesmo o visual do filme, que tem os mesmos produtores de “Alice no País das Maravilhas”, é dirigido pelo estreante Rupert Sanders e tem nomes como Charlize Theron (Encurralada, Monster e do ainda inédito Prometheus), Chris Hemsworth (Thor e Os Vingadores) e Kristen Stewart (da saga Crepúsculo e Na Estrada, exibido em Cannes esse ano) no elenco. Apostando num visual mais maduro e sombrio, o filme se mostra tecnicamente impecável e uma boa diversão para se ver na maior tela possível.
A história é velha conhecida de todos, mas em “Branca de Neve e o Caçador” ela ganhou um upgrade. Após a morte da Rainha, o Rei se casa com Ravenna (Charlize Theron), sem saber que ela é, na verdade, uma poderosa feiticeira. Ela mata o Rei na primeira oportunidade e assume o trono do reino. Branca de Neve (Kristen Stewart), filha do Rei, acaba aprisionada numa das torres do castelo por anos a fio.
A Rainha Ravenna, porém, carrega um fardo: para manter a sua beleza e o seu poder, ela se alimenta da “juventude” das garotas do reino. Um dia, no entanto, o Espelho afirma que “Branca de Neve está predestinada a ser a mais bela” e diz que, se a Rainha lhe arrancar o coração, terá a imortalidade. Ela tenta assassinar a jovem, mas ela foge do castelo. Ravenna contrata um caçador (Chris Hemsworth), que vai se encher de dúvidas ao se encontrar com a fugitiva.
O “upgrade” acontece justamente nessa parte. Não espere nada como o filme clássico lançado pelos Estúdios Disney. Aqui, Branca de Neve não tem nada de princesa indefesa e fará o que for preciso para se vingar da sua madrasta. O roteiro, mesmo conhecido por quase todo mundo, ainda consegue respirar novidades e garante surpresas ao público – um bom exemplo disso é a sequência clássica da maçã envenenada. De um modo geral, a história convence.
Quem, infelizmente, não convence é Kristen Stewart. Ela não está tão ruim quanto nos filmes da saga dos vampiros que brilham na luz do sol – até porque isso deve ser impossível, mas fica bem aquém dos seus companheiros de elenco. Ela compromete o filme com suas expressões vazias e que não transmitem o drama, o vigor e a emoção necessária. Chris Hemsworth está na média, não compromete, mas também não está brilhante – embora seja responsável por boas situações.
O grande – imenso – destaque do filme vai mesmo para ela, a magnífica Charlize Theron. A atriz sul-africana, aos 36 anos de idade, não poderia estar mais bela. Ela é de longe a personagem mais forte e envolvente entre o trio de protagonistas. Ela grita, esperneia, se arrasta e empunha armas sem titubear. Quem ganha é o público, que vai se deliciar em cada cena da bela loira.
Charlize Theron embeleza o filme. Isso é fato. Porém, não é só ela. Os efeitos visuais, as locações, o figurino e a fotografia de “Branca de Neve e o Caçador” – ou seja, toda a parte mais técnica da coisa – não está menos do que linda e muito bem feita. O longa chega a lembrar, inclusive, outros filmes que usam e abusam da fantasia, como “O Senhor dos Anéis”, “As Crônicas de Nárnia” (principalmente “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa”) e até mesmo “A História Sem Fim”.
Colocando na balança, “Branca de Neve e o Caçador” pende para o lado positivo. Embora não possua nenhuma atuação memorável – exceção à Charlize Theron – e um roteiro simples, mas funcional, o filme de Sanders compensa pelo visual deslumbrante e de encher os olhos. Se você busca uma releitura de qualidade para uma das histórias mais conhecidas da humanidade, vai encontrar nesse filme uma das melhores produções dos últimos tempos.








