Desde quando foi anunciado, ‘As Aventuras de Tintim’ sempre atraiu olhares curiosos. Primeiro, por unir dois grandes nomes do cinema – Steven Spielberg (ET, Indiana Jones, Jurassic Park, Minority Report) e Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, King Kong) – numa única produção, segundo, por trazer o que há de mais moderno na captação de movimentos e efeitos especiais e também por levar um dos personagens mais queridos da Europa pela primeira vez ás telonas de todo o mundo com um elenco impecável.
O resultado poderá ser conferido nos cinemas nacionais a partir da próxima semana, quando o primeiro filme do jornalista Tintim estréia no país: ‘As Aventuras de Tintim’ pode ser considerado revolucionário do ponto de vista visual – ele realmente impressiona, mas o longa não tem a pretensão de nascer um clássico da sétima arte. Ele é o que todos os fãs querem: um filme cheio de ação e aventura delicioso de se assistir.
A história começa quando Tintim compra uma réplica do Licorne, um dos grandes navios a navegar pelos sete mares. O que ele não sabe é que o objeto guarda segredos que pessoas nem um pouco confiáveis estão querendo solucionar. Como repórter – e curioso – que é, Tintim decide investigar a história. Sua busca vai te levar ao encalço de um tesouro que pertenceu ao avô de Haddock, o capitão ‘cachaceiro’ que vai se tornar seu companheiro de viagem.
O roteiro é simples, mas totalmente funcional. Chega, inclusive, a lembrar o bom e velho Indiana Jones (inclusive, foi em 1981 que Spielberg conheceu as histórias de Tintim, já que uma crítica comparava “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” às aventuras do personagem criado por Hergé). Funciona por que o espírito é quase o mesmo: todos estão atrás do tesouro, e vão às últimas conseqüências por isso.
O roteiro de ‘As Aventuras de Tintin’ se baseou nos livros ‘O Caranguejo das Pinças de Ouro’, ‘O Segredo do Licorne’ e ‘O Tesouro de Rackham, o Terrível’. Outros dois filmes serão feitos, com uma inversão nos papéis: Spielberg, que dirigiu esse episódio, vai para produção e Peter Jackson, que produziu esse, assume a direção.
Um dos pontos positivos do filme é a maneira como a história é contada. Nada de enrolação, apresentação cansativa ou exaustiva dos personagens. Logo de início o espectador é surpreendido com um ritmo ágil, que percorre toda a produção.
Mas, de longe, o que mais chama a atenção é o visual simplesmente deslumbrante do filme. Créditos, mais uma vez, à Weta Studios, responsáveis por filmes como ‘O Senhor dos Anéis’, ‘Avatar’ e “O Planeta dos Macacos: A Origem’. O filme é, definitivamente, uma animação, mas não estranhe se, em determinados momentos, você achar que certos lugares, cenas ou até mesmo personagens, são reais: os detalhes chegam à perfeição.
Os personagens merecem um comentário à parte. Eles estão totalmente estilizados e idênticos aos apresentados nos quadrinhos e, principalmente, no desenho animado, porém, com um toque bastante realístico (há inclusive uma piada sobre isso logo no começo do filme). Essa tecnologia já tinha sido mostrada nos fracos ‘O Expresso Polar’ e ‘A Lenda de Beowulf’, porém, aqui está muito superior.
O nome da técnica utilizada muita gente já conhece. O ‘motion capture’ foi usado em todos esses filmes já citados acima, e aqui, serviu para colocar Jamie Bell, Andy Serkis (um dos mestres dessa técnica), Daniel Craig e o restante do elenco na pele dos personagens. O 3D só ajuda. Aqui, a tecnologia é usada de forma semelhante à ‘Avatar’. Nada de coisas voando na cara do espectador. Ele é usado para dar um senso de profundidade e imersão maior.
O projeto custou U$ 130 milhões de dólares. Na Europa, onde Tintim já é referência nos quadrinhos juvenis, o filme tem alcançado um enorme sucesso. Nos EUA, faturou U$ 60 milhões na primeira semana, já que o personagem não é muito conhecido por aquelas bandas. Por aqui, deve atrair principalmente os fãs da série animada, que passou na TV brasileira na década de 80/90.
Mas os números pouco importam. O bom mesmo é que Spielberg e Jackson conseguiram mais uma vez. A união dos dois resultou num filme divertidíssimo, com uma história envolvente e sequências de tirar o fôlego. Tudo isso, com um visual primoroso. O resultado não poderia ser melhor. É um daqueles filmes que, quando você sai da sala de cinema, é flagrado com um sorriso de orelha a orelha. Que venham as próximas aventuras!















































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